Fonte: Folha de Boa Vista, 10 de setembro de 2011.
Foto: Raynere Ferreira
Para comemorar os 22 anos de criação a Universidade Federal de Roraima (Ufrr) realizou, nos dias 8 e 9, o "Vozes da Fronteira", com a participação de grupos artísticos do Brasil, Guiana, Suriname e Venezuela. Foi um momento de integração, conhecimento e valorização cultural.
A coordenadora do Departamento de Cultura da UFRR, Selmar Levino, destacou que a proposta do evento era trazer espetáculos musicais de cada país sul-americano localizado na Amazônia caribenha, com o intuito de divulgar os trabalhos artísticos destas regiões. "O primeiro contato foi feito com as universidades, em que cada uma enviou professores, alunos, cantores, dançarinos, atores e representantes culturais", disse.
A pró-reitora de Extensão da UFRR, Geyza Pimentel, afirmou que a ideia do evento, com a participação dos países vizinhos, nasceu quando o reitor da UFRR, Roberto Ramos, foi representar a instituição na Amazônia. "Lá surgiu a oportunidade de juntar os países aqui em Roraima para fazer um processo de integração cultural", disse.
No primeiro momento, participaram do "Vozes da Fronteira" os países que fazem fronteira com o Estado ou os mais próximos, mas a ideia é ampliar o intercâmbio e envolver outros países como por exemplo a Bolívia. "A relação entre os países da Amazônia caribenha é construtiva, principalmente no quesito cultural", ressaltou Geyza.
Entre as atrações estava a banda Paricarana, formada por acadêmicos da UFRR, a qual buscou mostrar um pouco da música, do costume e da arte regional roraimense.
A atração principal foi o grupo amazonense Imbaúba, formado pelo poeta Celdo Braga, guitarrista Rosivaldo Cordeiro, percusionista e baterista João Paulo Ribeiro, vocalista e violonista Roberto Lima, contrabaixista Sérvio Túlio e a vocalista Sofia Amoedo.
"O grupo realiza um trabalho musical acústico, basicamente instrumental, em que o repertório tem músicas de autoria da própria banda produzidas a partir da sonoridade da natureza, o que torna a música em orgânica", declarou.
Além dos shows culturais, a programação contou com a realização da mesa-redonda titulada "A construção sonora da cultura", promovida pelo Projeto Conexões Criativas, do Grupo de Pesquisa Observatório Amazoom/Coordenação do Curso de Artes Visuais da UFRR, junto com a Feira de Artes, promovida pelo Programa Pólo-Arte na Escola.
O presidente do Instituto de Cultura da Venezuela, Rodny Ara, disse que a produção do evento foi uma forma de divulgar, interagir e valorizar as diferentes culturas de cada país, mostrando seus diferenciais, destacando o potencial artístico e econômico.
"O Brasil é um país interessante, bem organizado, de pessoas hospitaleiras, onde os turistas se sentem bem, pois são acolhidos e bem recepcionados. É cheio de paisagens lindas e rico em vários setores. Isso só valoriza mais o intercâmbio cultural", detalhou Ara.
A representante da University of Suriname, Andrea Jubithana-Fernand, afirmou que o importante do evento não se recai apenas para as questões culturais, mas se estende a parte dos idiomas, que é de grande importância nos intercâmbios, pois é por meio dele que a comunicação artística e científica é garantida.
"É através da cultura pode-se ter a maior integração entre os povos, mas devemos enfatizar que a interação de línguas valoriza ainda mais estes encontros, como por exemplo, no Suriname falamos Holandês, na Guiana fala-se inglês, no Brasil o Português e na Venezuela a língua materna é o Espanhol. Então, mesmo não falando a mesma língua, precisamos nos integrar através da música, da dança e da arte", observou.
A produção do Cenário dos shows foi feita pelo artista plástico Ednel Sousa com o apoio dos acadêmicos de Artes Visuais e da Empresa JR Formatura. O evento foi uma realização da UFRR através da Pró-reitoria de Extensão (PROEX), do Departamento de Cultura e Esporte (DCULTE), da Coordenadoria de Relações Internacionais (CRINT), da Coordenação do Curso de Artes Visuais e do Programa Pólo Arte na Escola e apoio da COORDCOM/UFRR.







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